Brincando no Quintal
E como disse um amigo meu, Pra quê dançar no Salão quando se pode brincar no Quintal?
A exposição paralela fica em cartaz até dia 07 de novembro. Fortalezense, confiram!
Pirações monográficas
[...] Ainda não houve uma ruptura que parte para algo completamente novo, deixando o modernismo pra trás. Encontramo-nos em um intervalo no tempo que não se desligou completamente do passado, seja ele ‘pós-modernismo’, ‘modernidade líquida’ ou ‘hipermodernidade’.
O conceito de “interregno” proposto por Bauman (2009a) sintetiza perfeitamente o que enfrentamos na contemporaneidade. O termo originalmente significa o “hiato de tempo que separa o falecimento de um monarca soberano até a entronização do seu sucessor” (BAUMAN, 2009a, p.01). Neste momento, a suspensão temporária das leis e das normas existentes era proclamada e as gerações aguardavam por uma ruptura na forma de continuidade do governo, da lei e da ordem social.
Gramsci amplia, no entanto, o conceito de “interregno” com um novo significado, abrangendo o mais amplo espectro de aspectos sócio-político-jurídicos da ordem e, simultaneamente, atingindo mais profundamente a condição sócio-cultural. Ou melhor, [...] Gramsci liberta a idéia de “interregno” de sua habitual associação com intervalo de (uma rotina) de transmissão hereditária ou poder elegível, e anexa a situações extraordinárias em que o quadro jurídico existente de uma ordem social perde a sua aderência e já não pode se impor, enquanto que um novo quadro, feito à medida das forças recém-emergidas que gera as condições responsáveis por tornar o antigo quadro inútil, ainda está na fase concepção, ainda não foi completamente montado ou não é suficientemente forte para ser colocado em seu lugar. (BAUMAN, 2009a, p.01)
Assim, o autor propõe reconheçamos “a atual condição planetária como um caso de interregno”, em que a velha ordem está morrendo e o novo ainda não existe ou não tem forças o suficiente para assumir seu lugar.
Esta condição torna-se mais sintomática na arte contemporânea. Apesar de ser considerada por vários autores uma evolução artística da arte moderna, uma nova etapa da arte com suas peculiaridades, ela ainda carrega muitas características enraizadas no passado. Para Anne Cauquelin (2005) o ‘estado contemporâneo’ deve ser encarado como um sistema que não pertence mais a ordem que prevaleceu até recentemente, e por isto, nem suas obras e nem suas produções devem mais ser julgados de acordo com a antiga estrutura da tal ordem. Como não sabemos dizer ao certo que critérios permeiam a arte contemporânea, instala-se um mal-estar toda vez que tentamos avaliá-la, devido ao seu pouco tempo de existência.
Sem dúvida, é essa arte moderna que nos impede de ver a arte contemporânea tal como é. Próxima demais, ela desempenha o papel do ‘novo’, e nós temos a propensão de querer nela incluir à força as manifestações atuais. (CAUQUELIN, 2005, p. 19)
Para Cauquelin, assim como para Natalie Heinich, é importante que não adotemos mais classificações que remetam sucessões temporais. Para elas, esta concepção do termo ‘contemporâneo’ no sentido estrito do termo – o agora, o simultâneo – tem sido o principal causador de confusões e polêmicas na hora de reconhecer ou classificar alguma produção atual. Esta lógica de evolução, classificada pelos ‘neo’, ‘pré’, ‘pós’ ou ‘trans’, não suporta mais as discussões que tratam de apreender a pluralidade de ‘agoras’.
Precisamos, portanto, atravessar essa cortina de fumaça e tentar perceber a realidade da arte atual que está encoberta. Não somente montar o panorama de um estado de coisas – qual é a questão da arte no momento atual – mas também explicar o que funciona como obstáculo a seu reconhecimento. Em outras palavras, ver de que forma a arte do passado nos impede de captar a arte de nosso tempo. (CAUQUELIN, 2005, p. 18)
Deste modo, assumiremos a proposta de Natalie Heinich (2008) em estabelecer a arte contemporânea como um gênero da arte atual, da mesma forma que admitimos sem dificuldades que a ‘música contemporânea’ é só um dos diversos gêneros musicais que existem atualmente na música. O gênero da arte contemporânea, em suma, constitui apenas uma parte da produção artística do presente.
Sua fotocabine particular
Minha vida ficou muito mais divertida! A grande descoberta foi o site La Photo Cabine, essa fofura de site francês que reproduz fotos de cabines, agora em qualquer lugar. Só basta um computador conectado a internet e uma webcam.
O site possibilita que você escolha a disposição das fotos (se enfileiradas verticalmente ou dispostas em forma de quadrado) ou se o resultado seja preto e branco ou colorido. Você pode também salvar suas fotos ou imprimi-las. A diversão já está virando febre na web, com direito a galerias de fotos em grupos no Flickr e no Facebook.
É fácil de usar, super divertido e aviso logo que é impossível tirar uma só!
Uma triste partida…
Pouco mais das 01h do dia 27 deste mês.
Sou surpreendida por uma decisão: “Estou saindo do Caixa Clara.” Pelo msn, Yuri Leonardo, idealizador do blog e ‘pai’ da cria, me informa que está saindo do coletivo. Uma decisão que, se dependesse de mim, não seria tomada assim, de forma tão prematura.
Uma pena que o coletivo morra na praia. Mas continuarei tocando o barco, em meio a crises monográficas, nós na minha cabeça e acasos de um fim de setembro.
Foi engrandecedor tê-lo como companheiro de coletivo! E obrigada por confiar o blog a mim.
Quero que fique registrado que este blog terá sempre um pedaço de você e nem precisa falar que toda hora é hora pra suas idéias, fantasias e questionamentos aqui, viu?
O contato do moço, que saiu do “O Caixa” por ele, mas vem pra cá por mim:
Yuri Leonardo, Fortaleza, Brasil.
http://yurileonardo.wordpress.com/
http://www.flickr.com/photos/yurileonardo/
yuri.leonardo@gmail.com
Boa sorte!
Do Flickr #07
O morro de Fernanda
Agora é a vez da exposição da Fernanda Oliveira – Santa Teresinha: o morro de uma cidade. Indiquei, conferi e agora trago minhas impressões a vocês . Só peço desculpas pela demora.
Foi uma exposição que me causou muitas estranhezas. Não sei se foi uma infelicidade do acaso, mas o fato da abertura ter acontecido um dia depois da exposição do Zé Albano me fez ir pra exposição um pouco exigente do que o normal. No fim, sai de lá com vários incômodos.
Primeiro deles foi o local. Uma exposição sobre um morro em um shopping localizado num bairro de classe média-alta de Fortaleza. Para mim era no mínimo curioso saber se as personagens fotografadas iriam se sentir a vontade em prestigiar o trabalho da fotógrafa no ambiente incomum até mesmo para quem está acostumado a frequentar os locais ditos ‘oficiais’. Ouvi muita gente perguntando “É no shopping Aldeota mesmo?” dias ante do evento. Mas este assunto pede uma discussão a parte. Falar disto nos leva a debater outros assuntos, como o público, a audiência, a divulgação, os espaços culturais da cidade, entre outros pontos. Creio que Fernanda não quis arriscar, como já fez Gustavo Pellizzon, com sua exposição “Em conjuntos“, que, mesmo bem divulgada, não obteve grande público por ter acontecido no complexo esportivo do conjunto habitacional Maravilha, localizada no bairro São João do Tauape.
A solenidade de abertura conseguiu um bom número de pessoas. Através do olhar fotodocumentarista de Fernanda, Santa Teresinha é apresentada por meio de temáticas – música e dança, remetidas através do rap e rip-rop; trabalho, por meio dos pescadores e das peixarias; lazer, com imagens das brigas de galo e do futebol das crianças – assim como seu livro lançado naquela mesma noite. Seu trabalho reflete determinação e paciência diante de 5 anos de vivência com o Morro com o objetivo de resgatar algumas memórias de sua infância. Para quem não sabe, Santa Teresa foi um ponto turístico super freqüentado nos anos 90 por visitantes e fortalezenses devido aos famosos restaurantes e a maravilhosa vista do mirante.

Gostaria de fazer algumas observações aqui. No quesito livro versus exposição, as fotografias expostas não conseguiram representar metade do trabalho bem mais interessante que o livro traz. As imagens coloridas são mais instigantes, pontos altos do ensaio na minha opinião, mas poucos utilizadas frente a escolha pelo preto e branco. Uma cidade essencialmente colorida como Fortaleza devia ser mostrada através de suas particularidades, e uma delas é, sem dúvida, a cor!
Outro incômodo, este mais forte que os demais, foi o olhar exacerbado de visitante/espectadora sobre a comunidade. Decerto que a própria fotógrafa deixa claro o seu olhar visitante no texto de introdução do ensaio:
Sinto o morro vivo. Em mim.
Sinto saudade de subir para o Mirante,
de quando a gente via a cidade toda lá de cima.Quero olhar a minha Fortaleza do alto.
Do alto do Morro.O Morro já não é meu.
Minha história, os lugares em que cresci
já não me pertencem maisTenho que pedir licença.
Sobre o Morro de Santa Teresinha
Fernanda Oliveira
19 de fevereiro de 2009.
… mas o distanciamento foi tanto que o morro perdeu sua identidade. Apesar de 5 anos de reencontros e redescobertas, seu olhar ainda ficou preso a uma visualidade estabelicida de morros e favelas de qualquer parte do Brasil. Talvez se eu não soubesse que era aqui, em Santa Teresinha, diria que o ensaio foi feito no Rio de Janeiro sem muitas dúvidas.
Quero deixar claro que meus comentários não tem o papel de difamar o competente trabalho de Fernanda, mas sim de cutucar você que parou pra ler este texto. Minha intenção é gerar perguntas, levar as discussões para um além-foto, sem propor verdades absolutas.
Que imagens fazemos de nossa cidade?
O que queremos dessas imagens?
Aos que se sentirem cutucados, sintam-se a vontade em nossos comentários.
A.D.









